Dicas para pais e educadores ajudarem as crianças a lidar com a ansiedade na volta às aulas

Ansiedade na volta às aulas: dicas para pais e educadores ajudarem as crianças a retomar a rotina de forma tranquila

Escrito em 26/07/2019


Psicóloga explica a importância de se manter uma rotina de lazer com a família na retomada da rotina escolar, para que a mudança não seja tão brusca.

 

“Os adultos precisam dialogar com as crianças, elas não sabem expressar sentimentos de forma clara. Mas sabem contar o que incomoda, o que está ruim, sabem dizer o porquê de não querer ficar. Fazer a pergunta certa, sem tom de autoridade, ajuda muito na identificação da causa do estresse”. STELA GUTIERRES, psicóloga

 

Depois de tantos dias passeando com a família ou participando de atividades especiais nas colônias de férias, o fim da diversão pode desencadear ansiedade e estresse na volta às aulas. Mas precisa ser assim? 
Para ajudar pais e educadores a lidarem melhor com a retomada da rotina escolar, fomos conversar com a psicóloga Stela Gutierres, psicoterapeuta e diretora executiva da consultoria Fundamenta RH. Acompanhe as dicas da profissional:

 


1. Como podemos ajudar as crianças a voltarem às aulas de forma tranquila? 

A readaptação é uma tarefa que deve ser realizada tanto pelos pais quanto pela comunidade escolar:
Vamos começar pela escola: seria interessante que conseguissem criar um clima de boas-vindas, assim como acontece no início do ano letivo, com atividades lúdicas que façam as crianças sentirem a importância de estarem ali. O reencontro com os amigos também é muito importante nesse momento de readaptação. Quando o educador estimula o grupo a contar sobre as férias, compartilhando as experiências que viveram enquanto estavam longe, ajuda a garotada a se animar;
Quanto às famílias, acredito que a melhor forma de apoiar esse momento é manter uma rotina pré-estabelecida. Quando a criança sabe o que vai acontecer, fica menos ansiosa. É claro que o lazer das férias é mais intenso, mas saber que continuará a ter momentos de descontração com familiares e amigos, que não participam do processo escolar, é um diferencial. Podem ser coisas simples e que estimulem sua criatividade, como chamar um amigo para lanchar, fazer uma noite do pijama, uma contação de histórias, ou até mesmo reservar um dia para que a criança escolha o divertimento.

 

2. Quanto tempo leva a readaptação escolar? 

Cada um reage de forma diferente na volta às aulas. Aquele que não fez muitas atividades de lazer durante as férias certamente estará ansiosa para que as aulas recomecem, pois poderá reencontrar os amigos; quem fez muitas coisas bacanas e diferentes de sua rotina terá mais dificuldade de readaptação. Crianças pequenas (de 2 a 5 anos) são mais dependentes e também sofrem mais para retomar a rotina escolar – afinal, na escola precisam desenvolver autonomia e independência longe da segurança do seu lar. As tímidas também têm uma readaptação mais lenta: assim como os menores, elas geralmente não se sentem seguras em ambientes compartilhados. 
Os familiares devem evitar comparações, que causam ainda mais insegurança. Em vez disso, podem priorizar o carinho, transmitindo a confiança de que estarão por perto para acolher os filhos sempre que for preciso.

 

3. Há algo mais que possa ser feito pelos educadores no período de acolhida?

É preciso respeitar o tempo de cada criança, ajudando na construção de um indivíduo seguro e ativo no meio escolar. Carinho e paciência são palavras-chave para esse momento. Se a criança não quer ficar na escola é porque estava muito bom com os familiares. Então, tentar reproduzir um ambiente mais familiar e aconchegante pode ajudar o aluno a vencer esse momento, sem traumas.

 

4. Como saber se a criança está enfrentando com um estresse comum, que será amenizado com a readaptação à rotina, ou se efetivamente há algo errado? 

De um modo geral, os alunos já passaram por uma adaptação do início no ano. Se agora o estresse para a retomada da rotina for maior, é um sinal de alerta. Os adultos precisam dialogar com as crianças, elas não sabem expressar sentimentos de forma clara. Mas sabem contar o que incomoda, o que está ruim, sabem dizer o porquê de não querer ficar. Fazer a pergunta certa, sem tom de autoridade, ajuda muito na identificação da causa do estresse.

 

5. Que sinais mostram que a criança deve ser encaminhada para acompanhamento psicológico?

Os pequenos ainda não sabem muito bem nomear os sentimentos, nem sabem como lidar com eles. Quando os pais começam a perceber que o filho está com um comportamento diferente do habitual, já é sinal de alerta. Exemplo: criança sempre muito alegre e falante começa a ficar mais calada; aquela que dormia bem e começa ter sono agitado. Roer unha, ranger os dentes, mexer muito nos cabelos, ficar mais chorosa, deixar de sentir prazer com as atividades que antes a alegravam... existem muitos sinais que eles dão. O importante é conhecê-lo bem, para que se possa perceber as mudanças. E, na dúvida, os pais podem buscar orientação com psicólogos para saber como perceber e conduzir momentos de estresse esse.
 

6. Como conciliar, de forma saudável, responsabilidades escolares com o lazer?

Criança precisa ter rotina para se sentir segura. E manter a diversão com a família ao término das férias é fundamental. No entanto, é preciso ter cuidado para não sobrecarregá-la com atividades complementares. Esportes diversos e aulas de idiomas durante a semana, por exemplo, podem não ser um lazer, mas representar uma sobrecarga. Iniciativas de lazer devem trazer prazer, não o sentimento de obrigação. Seu filho tem tempo livre para o ócio? Se a resposta for não (ou pouco), será preciso repensar essa rotina. Se a resposta for sim, pergunte a ele o que gostaria de fazer.
 
Como vimos, o fim das férias pode trazer estresse e ansiedade às crianças na readaptação à rotina do dia a dia. Mas, quando a criança é acompanhada de perto pela família, bem acolhida pela escola e as atividades de lazer são mantidas nos períodos de folga, a volta às aulas pode sim ser bastante prazerosa.
E na sua casa, como está sendo esse momento? O que você e sua família fazem para dar conforto aos pequenos? 
Tem dicas interessantes para manter a calma em situações de crise? Conte pra gente: hello@babycheckin.com.br

 

Stela  Cutolo Gutierres é psicóloga, com 10 anos de experiência na área clínica. Por 13 anos, atuou em projetos de Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas em empresas de médio e grande portes no segmento de tecnologia. Formada em Psicologia pela Universidade Anhanguera, especializou-se em Atendimento Psicológico Domiciliar pela PUC. Ao longo dos anos fez diversos cursos de extensão no IPQ HCFMUSP, dentre os que vale destacar “Espiritualidade no Cuidado em Saúde” e “Extensão em Arteterapia”. Atualmente desenvolve um projeto de prevenção à automutilação e suicídio entre crianças e adolescentes, ministrando palestras em escolas particulares da capital e Grande São Paulo. É mãe da Lara, de três anos.


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