A circulação das crianças nas cidades

A circulação das crianças nas cidades

Escrito em 15/02/2019


Em nossa realidade atual, a presença das crianças na cidade está obstaculizada, seja pela cultura contemporânea de consumo ou por condições estruturais de sua inserção no mundo, o que não favorece uma participação mais legitimada e imediata.  Como as crianças são vistas em uma posição ulterior de participação e responsabilidade, um “vir a ser” adulto, ficam submetidas a espaços de aprendizagem e proteção.

No entanto, a cidade, diferentemente de outros locais do habitar da criança, como a escola, a família e os serviços de saúde, permite uma inserção de forma menos determinada por papéis institucionais pré-estabelecidos de aluno, filho ou paciente – nos quais crianças permanecem numa relação de subordinação e inferioridade.

A cidade aberta enquanto espaço de circulação da infância é um campo de experimentação de novas subjetividades e socialidades.

Mesmo que impossibilitadas de uma ação direta sobre a cidade, crianças imprimem suas marcas na comunidade, ao problematizarem o mundo tal como ele é, ou ao imaginarem cursos diferentes de ação cotidiana – seja apreciando um buraco no chão, sorrindo para um estranho ou contando os passos pelo caminho até à escola.

A infância é involuntariamente parte importante e potente da sociedade e da política social, exclui-la ou mantê-la à margem é ilusório.

Dessa maneira, a cidade precisa ser conquistada por crianças na sua complexidade, cheia de imprevisibilidades da ação humana, para que a experiência vá para além do que aprendido em livros didáticos. Não propomos que a cidade mude sua estrutura, mas que os espaços de circulação estejam dispostos a receber as crianças enquanto cidadãos na sua diversidade. 

Que a sociedade comece a se adequar à perspectiva das crianças como protagonistas: sujeitos de direitos que sabem o que desejam e participam da construção social, assim como adultos e idosos.

 


Larissa Bertagnoni

Terapeuta Ocupacional (CREFITO 3 150989TO), formada pela Universidade de São Paulo com especialização em Terapia Ocupacional Pediátrica e mestranda em Ciências da Reabilitação na Faculdade de Medicina da USP. 

 

Debora Pláton Hoppe

Psicóloga (CRP 06/88667), formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie com especialização em Teoria Psicanalítica pela PUC São Paulo e experiência em Reabilitação Neuropsicológica. 

Sócias-proprietárias da ADOLETA Assessoria em Desenvolvimento Infantil

adoleta@adoletaassessoria.com