Geração digital: as crianças e o uso das tecnologias

Geração digital: as crianças e o uso das tecnologias

Escrito em 04/09/2017


A realidade tem nos mostrado que é cada vez mais precoce o uso de tecnologias por crianças pequenas. Você já percebeu que a maioria dos bebês tem acesso a algum tipo de tecnologia nos primeiros anos de vida? O contato com aparelhos eletrônicos muitas vezes acontece antes mesmo do bebê aprender a caminhar ou falar, por volta de 1 e 2 anos de idade.

 

Vale lembrar que, até pouco tempo, a orientação da Academia Americana de Pediatria era para que crianças abaixo de 2 anos não fizessem uso de nenhuma tela em sua rotina. E por tela entende-se televisão, celular, tablet, computador... Já crianças maiores, acima de 2 anos, deveriam ficar no máximo duas horas por dia na frente dos aparelhos.

 

Contudo, no mundo de hoje é muito difícil não fazer uso das tecnologias. É praticamente impossível viver sem esses recursos na atualidade, inclusive porque a era digital é formada por crianças que já nasceram imersas no meio digital e virtual. Por isso, nesse momento, a tendência é orientar os pais e estimular a reflexão sobre a forma como os aparelhos tecnológicos vêm sendo utilizados, deixando de determinar uma idade mínima ou quantidade de horas para o uso. 

 

Mas então o que pode ser feito? Vale pensar sobre a maneira como você se relaciona com a tecnologia, pois é ela que vai servir de espelho para o seu filho. Por esta razão, é importante controlar o tempo que você fica conectado. Já pensou em estimular momentos livres de tecnologia na sua casa? Incentive sua família a ter atividades lúdicas e prazerosas que não incluam o uso de algum eletrônico. Vá diminuindo o tempo em frente às telas gradativamente, para que este processo seja menos doloroso, tanto para os pais quanto para os filhos.

 

Dosar o tempo de contato entre as crianças e os aparelhos é fundamental, ainda que não seja uma tarefa fácil. Se você percebe que o seu filho prefere ficar em frente ao celular ou ao computador ao invés de realizar outras atividades, como sair para brincar com amigos, é hora de agir e repensar o uso da tecnologia aí na sua casa. Um jeito é propor outras formas de entretenimento. Sugira novas experiências às quais a criança não esteja acostumada ou mesmo relembre uma brincadeira que ela goste muito de fazer. Seja criativo! Além disso, estar presente nessas atividades é muito importante para incentivá-lo a mudar os hábitos. Então, crie um tempo para estar com seu filho e esteja disponível só para ele naquele momento.

 

As tecnologias não devem jamais substituir o contato presencial, as trocas de olhares, de atenção e de afeto. A interação face a face continua essencial. Essa reflexão não deve ser encarada como usar ou não aparelhos eletrônicos, ou ainda, proibir ou permitir, e sim pensar como fazer uso dela de forma adequada e moderada. Então, use o bom senso e estabeleça limites para o uso dos aparelhos digitais. Na dúvida sobre o comportamento do seu filho ou manejo frente ao uso das tecnologias, consulte um psicólogo.


Elisa Cardoso Azevedo

Psicóloga (CRP 07/18079), graduada pela PUCRS. É especialista em Saúde da Criança e do Adolescente (RIMS/HCPA) e especialista em Psicologia Hospitalar (HMV e HCPA).

Atualmente realiza mestrado em Psicologia (UFRGS) desenvolvendo estudos sobre a relação pais-bebês.

Também atua como psicóloga clínica atendendo gestantes, pais, bebês, crianças e adolescentes. 

lielisa@gmail.com